A proposta do EcoInnovate4Sustain

Trabalhar em rede

Uma rede de Ergonomia e uma de Sustentabilidade que se integram

Somos uma plataforma para troca de informação/conhecimento, reflexão e discussão entre pessoas interessadas em promover mudanças em toda a cadeia de produção, consumo e logística, na busca de uma sociedade mais sustentável sob o ponto de vista social, cultural, ecológico, espacial e econômico.

A idealização, concepção e desenvolvimento da plataforma se deu no âmbito do projeto CNPq PQ 310536/2015-4 (2015-2019) “Co-criação como Ferramenta de Impulsão  de Projetos  em Sustentabilidade”, e está tendo continuidade no projeto  CNPq PQ 307716/2019-8 (2020-) "Impulsão de Projetos com Foco na Sustentabilidade”.

A ideia é trabalhar em rede para gerar conhecimento, informar, integrar  e compartilhar ideias e experiências que possam ter impacto positivo nas organizações, na sociedade, e no meio ambiente; vislumbrar as oportunidades de atuação, desenvolvê-las  e implementá-las; e viabilizar mudanças no pensamento para uma sociedade melhor. 

Apesar de ergonomia e sustentabilidade serem indissociáveis, esta plataforma apresenta duas redes, que  podem e devem ser integradas: a rede Ergonomia e a rede Sustentabilidade. O foco maior da rede Ergonomia são os humanos (questões sociais, culturais e econômicas) enquanto o da rede Sustentabilidade são os recursos materiais e meio ambiente (questões ecológicas, espaciais e econômicas), mas cada questão impacta a outra pois se articulam dentro de um sistema que integra o sistema sociotécnico e o natural.

O que está-se propondo nesta plataforma  é semelhante ao que Garcia-Acosta et al. (2014) denominaram ergoecologia, e tem como objetivo balancear o sistema sociotécnico e o natural: tem abordagem sistêmica (macro) e considera o conceito de sustentabilidade, ou seja, se baseia no conceito de sistema sociotécnico (foco da rede Ergonomia) e no conceito de ecossistema (foco da rede Sustentabilidade). Notar que o conceito de sustentabilidade que está sendo adotado na plataforma é o de Sachs (1991 p. 3-4) que considera no mínimo 5 dimensões da sustentabilidade, que devem ser consideradas simultaneamente e com mesmo peso: 

1. Social,  entendida como a criação de um processo de desenvolvimento que seja sustentado por um outro crescimento e subsidiado por uma outra visão do que seja uma sociedade boa. A meta é construir uma civilização com maior equidade na distribuição de renda e de bens, de modo a reduzir o abismo entre os padrões de vida dos ricos e dos pobres;

2. Econômica, que deve ser tornada possível através da alocação e do gerenciamento mais eficiente dos recursos e de um fluxo constante de investimentos públicos e privados. Uma condição importante é a de ultrapassar as configurações externas negativas resultantes do ônus do serviço da dívida e da saída líquida de recursos financeiros do Sul, dos termos de troca desfavoráveis, das barreiras protecionistas ainda existentes no Norte e do acesso limitado à ciência e tecnologia; 

3. Ecológica, que pode ser melhorada utilizando-se as seguintes ferramentas: Ampliar a capacidade de carga da espaçonave Terra, intensificando o uso do potencial de recursos dos diversos ecossistemas, com um mínimo de danos aos sistemas de sustentação da vida;  promovendo a agricultura agroflorestal e regenerativa com a modernização das pequenas fazendas familiares, explorando o potencial da biomassa; Limitar o consumo de combustíveis fósseis e de outro recursos e produtos que são facilmente esgotáveis ou danosos ao meio ambiente, substituindo-os por recursos ou produtos renováveis e/ou abundantes, usados de forma não agressiva ao meio ambiente; Reduzir o volume de resíduos e de poluição, através da conservação de energia e de recursos, e da reciclagem; Promover a autolimitação no consumo de materiais por parte dos países ricos e dos estratos sociais privilegiados em todo o planeta; Intensificar a pesquisa para a obtenção de tecnologias de baixo teor de resíduos e eficientes no uso de recursos para o desenvolvimento urbano, rural e industrial; Definir normas para uma adequada proteção ambiental, desenhando a máquina institucional e selecionando o composto de instrumentos econômicos, legais e administrativos necessários para a implementação de politicas ambientais;

 

4. Espacial, que deve ser dirigida para a obtenção de uma configuração rural-urbana mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial de assentamentos urbanos e atividades econômicas, com ênfase nos seguintes problemas: concentração excessiva nas áreas metropolitanas; destruição de ecossistemas frágeis, mas de importância vital, através de processos de colonização sem controle; potencial para industrialização descentralizada acoplada à geração de novas tecnologias (especialização flexível) apontando em especial para as indústrias de biomassa com seu papel na criação de oportunidades de emprego não-agrícolas nas áreas rurais: estabelecer uma rede de reservas naturais e de biosfera para proteção da biodiversidade;

 

5. Cultural, buscando as raízes endógenas de processos de modernização e de sistemas agrícolas integrados, buscando mudança dentro da continuidade cultural, traduzindo o conceito normativo de ecodesenvolvimento em uma pluralidade de soluções locais, especificas para o ecossistema, a cultura e a área.

Dez anos depois, Sachs (2002 p.85-89) ampliou para 8 as dimensões da sustentabilidade:

1. Social, que se refere ao alcance de um patamar razoável de homogeneidade social, com distribuição de renda justa, emprego pleno e/ou autônomo com qualidade de vida decente e igualdade no acesso aos recursos e serviços sociais;

2. Cultural, referente a mudanças no interior da continuidade (equilíbrio entre respeito à tradição e inovação), capacidade de autonomia para elaboração de um projeto nacional integrado e endógeno (em oposição às cópias servis dos modelos alienígenas) e autoconfiança, combinada com abertura para o mundo;

3. Ecológica, relacionada à preservação do potencial do capital natural na sua produção de recursos renováveis e à limitação do uso dos recursos não renováveis;

4. Ambiental, que trata de respeitar e realçar a capacidade de autodepuração dos ecossistemas naturais;

5. Territorial, referente a configurações urbanas e rurais balanceadas (eliminação das inclinações urbanas nas alocações do investimento público), melhoria do ambiente urbano, superação das disparidades inter-regionais e estratégias de desenvolvimento ambientalmente seguras para áreas ecologicamente frágeis;

6. Econômica, pelo desenvolvimento econômico intersetorial equilibrado, com segurança alimentar, capacidade de modernização contínua dos instrumentos de produção, razoável nível de autonomia na pesquisa científica e tecnológica e inserção soberana na economia internacional;

7. Política (Nacional), sendo a democracia definida em termos de apropriação universal dos direitos humanos, desenvolvimento da capacidade do Estado para implementar o projeto nacional, em parceria com todos os empreendedores e um nível razoável de coesão social;

8. Política (Internacional), baseada na eficácia do sistema de prevenção de guerras da ONU, na garantia da paz e na promoção da cooperação internacional, Pacote Norte-Sul de co-desenvolvimento, baseado no princípio da igualdade (regras do jogo e compartilhamento da responsabilidade de favorecimento do parceiro mais fraco), controle institucional efetivo do sistema internacional financeiro e de negócios, controle institucional efetivo da aplicação do Princípio da Precaução na gestão do meio ambiente e dos recursos naturais, prevenção das mudanças globais negativas, proteção da diversidade biológica (e cultural), gestão do patrimônio global, como herança comum da humanidade, sistema efetivo de cooperação científica e tecnológica internacional e eliminação parcial do caráter commodity da ciência e tecnologia, também como propriedade da herança comum da humanidade.

Os princípios de ergonomia sempre estiveram embutidos na proposta de Sachs, mas ao longo do tempo as dimensões social, cultural, espacial e econômica referentes aos cidadãos não tiveram força, e a noção de sustentabilidade se voltou mais para o debate entre as questões ecológica e econômica (dos mais poderosos), e esta sempre com maior peso.

 

Desta forma, como o termo sustentabilidade remete mais ao meio ambiente, optou-se por adotar o nome Sustentabilidade para a rede que foca os recursos materiais, processos, produtos, serviços e meio ambiente, e o nome Ergonomia para a rede que foca os humanos lidando com os recursos materiais, processos, produtos, serviços e meio ambiente. 

Garcia-Acosta, G.; Pinnila, M.H.S.; Laharrondo, P.A.R.; Morales, K.L. (2014) Ergoecology: fundamentals of a new multidisciplinary field. Theoretical Issues in Ergonomics Science 15(2): 111-133

Uma plataforma de co-criação, integrando pessoas interessadas em solucionar problemas de Ergonomia e Sustentabilidade; não é um concurso de soluções 

Não é uma plataforma para votar melhores ideias, mas sim, para integrar ergonomistas, engenheiros, designers, pessoal da área de saúde, administradores, economistas, advogados, sociólogos, antropólogos, biólogos, químicos, entre outros, na busca de oportunidades de atuação e de soluções alternativas para problemas que impactam a sociedade e o meio ambiente, principalmente pensando-se na mudança para uma sociedade mais justa e uma economia circular.

Esta transformação é mais fácil com o envolvimento de várias pessoas de diferentes áreas: aquelas que podem contribuir com conhecimento técnico/cientifico (academia), aquelas que podem colocar em prática (empresas e governo), e aquelas que conhecem seu meio socioeconômico e ambiental e as demandas locais (sociedade).

A complexidade do problema e da solução não importa

Todas as ideias, iniciativas e propostas de projetos são bem vindas: da mais simples à mais complexa, são válidas todas as oportunidades que podem sair do papel e ser colocadas em prática. A complexidade das soluções não importa, e mesmo aquelas que não tenham sido bem sucedidas por algum motivo, podem ser revisitadas e contribuir para a plataforma. 

Um banco de dados, uma biblioteca

A plataforma também funciona como um banco de dados, uma biblioteca, já que exemplos e referências bibliográficas (clicando em Repositório) estão disponíveis. Portanto, a plataforma também é um instrumento auxiliar em estudos e pesquisas.

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As pessoas por trás do EcoInnovate4Sustain

Lia Buarque de Macedo Guimarães, PhD, CPE CNPq/UFRGS

GT Macroergonomia Abergo

Guilherme Petry Breier, Dr. CEITEC/MCTI

Marcia Gemari Derenevich

 PUCPR

Claudia Ferreira Mazzoni, PhD FUMEC

GT Macroergonomia Abergo

Coordenadora 

Rosimeire Sedrez Bitencourt, Dr. PUCPR

GT Macroergonomia Abergo

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