A proposta por trás da rede Sustentabilidade do EcoInnovate4Sustain

O foco da rede Sustentabilidade é lidar com materiais residuais[LG1] 

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A ideia da rede Sustentabilidade surgiu de em um levantamento de iniciativas e propostas de projetos que buscam o desenvolvimento de novas soluções pelo reaproveitamento, reuso e reciclagem de materiais descartados, que tenham impacto ambiental, social e econômico  positivos.

A plataforma pretende ser um fórum para identificar, discutir e contribuir para iniciativas e projetos que usam recursos que não são usados, são desperdiçados, ou são descartados. Portanto, visa o desenvolvimento de novas soluções pelo reaproveitamento, reuso e reciclagem de materiais.

Como podemos promover o desenvolvimento sustentável em diversas regiões brasileiras, utilizando os recursos materiais (sem uso) e sociais locais, para reduzir o uso de insumos, reduzir geração de resíduos/lixo, e gerar trabalho e renda conservando o território e a cultura local?

Como o leque de contribuições para um mundo sustentável é muito amplo, o foco desta rede é lidar com materiais residuais disponíveis, que são descartados como lixo, mas que podem ser utilizados em diferentes novos contextos gerando impacto positivo para o meio ambiente (já que deixam de se acumular em aterros ou lixões) e para a sociedade (já que podem gerar novas oportunidades de trabalho e renda). O que é considerado lixo (um problema) passa a ser então considerado matéria prima (um recurso).

A utilização de resíduos ou produtos descartados é um meio mais sustentável de suprimento das cadeias de produção. Com o reprocessamento, não é necessário extrair matéria prima da natureza (o que é bom para o planeta) e ter todo o custo de  manufatura para sua transformação (o que é bom para a empresa). Além disso, não há o custo do descarte de material (o que é bom para o planeta e para a empresa). Quanto menor for o volume de extração e deposição,  e quanto mais intenso o ciclo circular dos materiais, mais sustentável se torna a cadeia de produção e consumo.

mudanças no pensamento

A plataforma pretende viabilizar mudanças no pensamento linear atual de que produção e consumo podem ser tocados a qualquer custo, não considerando nem o esgotamento de recursos e nem o aumento de poluição, já que eles são a base do desenvolvimento, mesmo que isto impacte negativamente a sociedade e o planeta.

Mas o que é desenvolvimento e qual é o custo desse modelo do século passado?

Ele foi herdado da revolução industrial, e é insustentável, porque desperdício e dano socioambiental são caros sob o ponto de vista econômico, social e ambiental.

O pensamento contemporâneo, mais sustentável, é que o uso intensivo e indiscriminado de recursos e o aumento de dejetos tem alto impacto na sociedade e no meio ambiente. Portanto, o desenvolvimento tem que ser mais racional, considerando que a produção não depende somente de máquinas e materiais, mas também dos seres humanos que as projetam e operam, os quais são parte da teia social junto daqueles que consomem/usam o que é produzido.

 

Para que o desenvolvimento seja sustentável, o meio ambiente e o meio social precisam ser respeitados, e não podem valer menos do que as questões de ordem econômica. Aqui é importante salientar que o modelo linear de produção e consumo não considera, nos cálculos econômicos, o custo das perdas de materiais, energia, mão de obra, transporte etc. envolvidos na extração de matéria prima, produção, consumo e descarte. Se fossem, talvez o modelo já tivesse sido superado.

Busca do desenvolvimento sustentável

Meadows, D. H., Meadows, D. H. L., Randers, J., Behren III, W. W. (1972). The limits of growth, The Club of Rome's Project New York, Universe Books. Versão brasileira publicada em 1973: Limites do Crescimento: Um relatório para o projeto do Clube de Roma sobre o dilema da humanidade. São Paulo: Editora Perspectiva.

Ecodesenvolvimento

A questão do desenvolvimento sustentável vem sendo debatido desde a Conferência das Nações Unidas, realizada em Estocolmo em 1972, com base no relatório “Limites do Crescimento” elaborado em 1971 por uma equipe do MIT, por solicitação do Clube de Roma. Ele apontava o problema da explosão demográfica e da pressão que isto exercia sobre o equilíbrio dos ecossistemas e o esgotamento dos recursos não-renováveis do planeta. Para evitar a fome, escassez de recursos naturais, altos níveis de poluição, o relatório recomendava a adoção de uma política mundial de contenção do crescimento.

Este relatório foi utilizado nas reuniões preparatórias para a Conferência das Nações Unidas, tendo sido elaborado o conceito de ecodesenvolvimento: um desenvolvimento baseado na potencialidade de cada ecossistema, levando em conta a participação das populações locais, a redução dos desperdícios de qualquer ordem e a reciclagem dos resíduos.

Apesar da proposta de que o estado de equilíbrio poderia ser planejado de forma a garantir o atendimento das necessidades básicas e de oportunidades de realização do potencial humano, os países em desenvolvimento, liderados pelo Brasil e Índia, entenderam que a adoção dessa política de “crescimento zero” condenaria a maioria dos países a um permanente subdesenvolvimento, pois mantinha a divisão territorial do trabalho e os conflitos e as contradições entre o “norte desenvolvido” e o “sul subdesenvolvido”.

O que foi aprovado na Assembleia Geral das Nações Unidas de 1972, foi a proposta para a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, com o objetivo de catalisar e coordenar as atividades de proteção ambiental. A partir  de 1972, vários movimentos em prol do meio ambiente e justiça social tiveram inicio em todo o mundo.

Tentando corrigir as distorções do primeiro modelo, o relatório do Clube de Roma sofreu alterações em  1973, focando em energia, e também em 1976, quando foram incorporadas as questões sociais de desigualdade de renda média (numa relação de 13/1) entre países ricos e pobres.

5 Dimensões do Desenvolvimento Sustentável na conferência Rio-92

Foi a partir do Relatório Brundtland – resultado da Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, e publicado com o título “Nosso Futuro Comum”, em 1987 (Clique aqui para ver o relatório) – que a noção de desenvolvimento sustentável passou a se consolidar junto a pesquisadores e ativistas, e também a ganhar adesão política, inclusive de países em desenvolvimento. Ao invés de crescimento zero, a proposta era de aceleração do desenvolvimento, principalmente tecnológico, com base em “mecanismos de desenvolvimento limpo”.

O relatório foi decisivo para o encaminhamento da Conferência Rio-92, cujo documento base foi preparado por Ignacy Sachs (1991) por solicitação da UNCED 92 (Clique aqui para ver o documento).

O conceito de desenvolvimento sustentável não foca apenas os fatores ambientais e econômicos, devendo abranger, também, os aspectos locais, sociais e culturais, conforme proposto por Sachs (1991) no documento que orientou a ECO92 (Clique aqui para ver o documento). Na ocasião, os 179 países participantes assinaram a Agenda 21.

Em 2002, Sachs ampliou para oito, as dimensões da sustentabilidade: social, cultural, ambiental, ecológica, espacial, econômica, política nacional e política internacional.

 

Assista ao vídeo sobre a Conferência Rio-92 (ou Cúpula da Terra), preparado pela ONU, publicado pela ONU Brasil em 17/12/2011.

Assista à entrevista de Ignacy Sachs na TV Cultura, em 10/12/2011.

Assista à entrevista que Gro Brundtland (ex Primeira Ministra da Noruega, diretora geral da World Health Organization (WHO) de 1998 a 2003, e presidente da Comissão Brundtland, da Organização das Nações Unidas entre 1983 e 1987)  deu à TV Cultura, em outubro de 2011, quando ela veio ao Brasil. Ela comenta sobre os avanços em relação ao desenvolvimento sustentável, 20 anos depois de seu lançamento.

Triple-Bottom-Line, TBL ou 3P

Elkington, J. (1997) Cannibals with Forks: Triple Bottom Line of 21st Century Business. Oxford: Capstone Publishing Ltd.

Economia Verde na Conferência RIO+20

PNUMA (2011) Rumo a uma economia verde: caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza – Síntese para Tomadores de Decisão www.unep.org/greeneconomy.

Enquanto o conceito de desenvolvimento sustentável orientou a ECO92, vinte anos depois, a Conferência RIO+20 teve como guia o conceito de “Economia Verde” para novas políticas de desenvolvimento, como a maior inclusão das questões sociais no desenvolvimento, com maior ênfase das questões sociais no desenvolvimento, produção, consumo e descarte dos produtos utilizados.

Assista a uma palestra de Sergio Basserman Vianna (economista) sobre meio ambiente, Economia Verde e expectativas para a Rio+20, no 2º Seminário Internacional BPC, BRICS Policy Center, publicado em 14/06/2012.

Assista ao vídeo do programa Cidades e Soluções sobre as expectativas para a Rio+20 exibido em 06/06/2011

Assista à entrevista do ex ministro do Meio Ambiente Jose Goldemberg que compara o cenário mundial da Rio 92 com o da Rio+20. Pesquisa Fapesp publicado em 05/03/2012.

A avaliação da Rio+20, em geral, não foi boa: o interesse das autoridades pela Conferência foi  questionado, pois dos 30 países mais ricos do mundo, apenas 17 enviaram chefes de Estado. Além disso, o documento preparado para ser debatido na Conferência foi alvo de críticas, tendo sido considerado fraco.

Resumidamente, a avaliação foi de frustração, pois falou-se muito sem concluir nada, já que, de certa forma, os governos abdicaram da responsabilidade em relação ao desenvolvimento sustentável. Para muitos, o Brasil, como anfitrião e como país com maior biodiversidade no mundo, perdeu uma oportunidade de assumir uma posição de liderança na Conferência e se promover como país de vanguarda e líder mundial na área de sustentabilidade.

 

Assista à avaliação da Conferência Rio+20 feita pela ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, em entrevista à Record News em 21/06/2012 (Clique aqui para assistir a entrevista).

Assista à avaliação da Conferência Rio+20 por Sergio Basserman Vianna (economista), Sérgio Abranches (sociólogo) e Ana Toni (presidente do Conselho do Greenpeace Internacional) no programa Observatório da Imprensa, de Alberto Dines, em 27/06/2012

 

Em 2009, o PNUMA substituiu o conceito de ecodesenvolvimento pela Economia Verde, “uma economia que resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz os riscos ambientais e a escassez ecológica”  a partir  de tecnologias ambientalmente corretas, que protejam o meio ambiente e ao mesmo tempo impulsionem o crescimento econômico.

A Economia Verde tem três características principais: 1) baixa emissão de carbono; 2) eficiência no uso de recursos para conservação da biodiversidade e preservação dos serviços ambientais e; 3) busca pela inclusão social e diminuição das desigualdades entre ricos e pobres, para melhoria da qualidade de vida de todos, por meio de oferta de empregos, consumo consciente, reciclagem, reutilização de bens, uso de energia limpa e valoração da biodiversidade.

A Economia Verde sofre críticas de acadêmicos e ONGs, que consideram que a ideia de valorar o meio ambiente através de mecanismos tradicionais de mercado é um ambientalismo de mercado, e a atribuição de valor monetário a bens naturais, como a flora, fauna, água e ar não é viável. As críticas são inclusive quanto às operações de compensação ambiental para áreas ou recursos naturais degradados pois é impossível comparar, com precisão, o valor natural de um local com outro, já que cada um é único.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Milênio

Iniciativas em processos e produtos visando a sustentabilidade

Ecoeficiência e 3Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar)

Ecoeficácia, ZERI e Economia Azul

O conceito de ecoeficiência evoluiu, então, para o conceito da ecoeficácia, que considera que os resíduos que seriam descartados ou reciclados devem ser reutilizados em outros processos. é o caso de algumas empresas brasileiras que estão usando resíduos de outras empresas como matéria prima para novos produtos.

Já existem bancos de compra e venda de resíduos, como a Bolsa de Resíduos da Firjan, da Fiesp, Sistema Integrado de Bolsa de Resíduos, plataforma Polen, e B2Blue.

Veja o vídeo do programa Cidades e Soluções da GloboNews exibido em 12/12/2016 que apresenta alguns exemplos.

Este tipo de iniciativa entre empresas é promovido pela Zero Emission Research Initiative (ZERI) que, de início, era uma filosofia mas se converteu em uma metodologia. Hoje, a ZERI é uma rede global para buscar soluções para problemas mundiais de impacto no planeta, baseado na ideia de que as soluções para os desafios da humanidade estão nos sistemas naturais.

Para Gunter Pauli (1998), basta examinar a natureza melhor. Se imitarmos as soluções do meio ambiente, vamos atingir sustentabilidade. A natureza não produz lixo: o que é dejeto vira insumo. Com base no funcionamento dos ecossistemas, pode-se criar soluções e oportunidades criativas e inovadoras de desenvolvimento sustentável, equilibrando a sustentabilidade social, económica e ambiental.

Como quase todas as tecnologias necessárias para atender as necessidades básicas dos seres humanos  já foram inventadas, a verdadeira criatividade está em se fazer as conexões, integrando inovações que permitam gerar múltiplos benefícios, inclusive a geração de emprego e capital social (upsizing).

A ZERI está dentro do modelo de Economia Azul, proposto por Gunter Pauli na Eco 92.

Gunter Pauli considera que a Economia Verde, do baixo carbono, sem tóxicos e com energia renovável, faz com que as empresas injetem mais recursos, que os investidores invistam mais dinheiro, e que os consumidores paguem mais caro pelos produtos mais ecológicos, sendo que as taxas de retorno são baixas, resultando que o que é bom para o meio ambiente é sempre mais caro.

Sendo eficiente em alguns aspectos, ela acaba se convertendo em uma economia para os ricos. A Economia Verde pode funcionar para uma pequena parte da população mundial, onde a economia está indo bem, mas não é suficiente para solucionar os desafios do planeta pois existe crise econômica, com altas taxas de desemprego em muitos lugares.

Para entrar na esfera da inovação social, é necessário sair do mundo dos negócios tradicional. Uma empresa não sobreviverá se focar somente no seu fluxo de caixa. Ela precisa atender o “cliente” e o cliente não quer um produto barato porque é de baixa qualidade, não quer pobreza, nem problemas gastrointestinais por falta de agua potável...

A Economia Azul (porque o planeta é azul, da cor do mar) propõe mudanças estruturais na economia, de forma que o bom é barato e o indispensável é grátis. Deve haver um investimento maior nos produtores locais e no aproveitamento dos recursos naturais, buscando a transformação e a eliminação dos dejetos, de forma a fechar um ciclo autossustentável. Um exemplo é o aproveitamento do café: com o que é descartado, pode se cultivar cogumelos de grande qualidade nutricional. Desta forma, os produtores de café podem quadruplicar o lucro com o material que iria para o lixo.

Assista a uma entrevista com Gunter Pauli, explicando porque a Economia Verde não está atendendo as necessidades do planeta. E uma palestra onde ele dá exemplos de projetos bem sucedidos, inclusive no Brasil, e explica o que é o pensamento sistêmico.

A Economia Azul/ZERI foca principalmente nas questões sociais, nas oportunidades de negócios, e enfatiza a importância dos empreendedores. Entretanto, por melhor que seja a ideia de utilização de materiais locais e de que o resíduo de um processo seja reutilizado como recurso em outro, ampliando assim os negócios, a linearidade do sistema de produção continua prevalecendo se o projeto de produtos continuar sendo berço-ao-túmulo. é preciso repensar, também, o projeto de produtos e, para tanto, a Economia Azul/ZERI tem promovido o desenvolvimento de produtos berço-a-berço.

McDonough, W. e . Braungart, M. (2002) Cradle to cradle, Remaking the way we make things. North Point Press.

 

McDonough, W. e . Braungart, M. (2014) Cradle to cradle,  Criar e reciclar ilimitadamente. Gustavo Gili.

O conceito de projeto berço-a-berço (cradle2cradle) ou C2C , difundido no livro de William McDonough e Michael Braungart  (2002, 2014) é uma das bases da Economia Circular.

Estes autores propõem estratégias para a concepção de produtos C2C e processos produtivos dentro de uma Economia Circular (ver as publicações da Ellen MacArthur Foundation, sendo que duas são sobre o Brasil, pois a Fundação está no país desde 2015), a partir do princípio do uso cíclico dos materiais, considerando que, no fim do ciclo de uma vida, eles serão reprocessados para iniciar um outro ciclo de vida. Desta forma, não há um túmulo para os produtos, pois eles se transformam para reiniciar uma nova vida, tendo assim um novo berço.

Luisa Santiago, representante da Ellen MacArthur Foundation Brasil, apresentou a Fundação no GloboNews Prisma 2018. Veja o vídeo de 5/5/2018 (Clique aqui para ver o vídeo).

Para que haja circularidade, os designers têm que projetar um produto já pensando que ele terá uma segunda vida, ou mais de duas. Assim, as perdas são menores, porque o produto não será reciclado, mas sim, reestruturado para assumir um outro ciclo de vida.

Um exemplo interessante de produto já projetado com duas vidas é  a tampinha de garrafa de refrigerante CleverPack projetada por Claudio Patrick Vollers para ser um brinquedo (tipo Lego) e evitar, assim, o descarte. A tampinha foi premiada no IF Design 2014.

Veja o projeto que foi apresentado no programa Cidades e Soluções exibido em 03/09/2014 (Clique aqui para ver o programa). 

Em termos de processo, uma indústria C2C na Economia Circular deve se organizar para que os recursos sejam geridos em uma  lógica circular de criação e reutilização, em que cada passagem de ciclo se torna um novo ‘berço’ para determinado material. Dessa forma, o modelo linear é substituído por sistemas cíclicos,  permitindo que recursos sejam reutilizados indefinidamente e circulem em fluxos seguros e saudáveis para os seres humanos e para a natureza.

Note que a Economia Circular não fala em reciclagem, mas em recirculação e transformação dos materiais. A filosofia é de uma economia restaurativa do capital natural e, para isto, as indústrias devem projetar produtos com este foco e alterar seus sistemas de produção e distribuição a fim de permitir a recirculação de materiais.

Para que os resíduos possam ser reutilizados, há necessidade de se pensar nas matérias primas que serão utilizadas (que não sejam tóxicas, que não esgotem o planeta etc.), como serão utilizadas sem recorrer à mais extração de matéria prima da natureza, e como retornam para o local de reprocessamento.

A transformação de materiais pode ocorrer em dois ciclos ou metabolismos: o biológico (quando o material se torna nutriente na natureza) ou o técnico (quando é incorporado novamente no sistema fabril).

Diferenciar 2 tipos de produto

Produto de consumo a ser processado no metabolismo biológico

Economia Circular e Economia de Performance

A pressão econômica do Triple-Bottom-Line

A lógica C2C faz a diferenciação entre dois tipos de produtos: os de consumo e os de serviço.

Os produtos de consumo, como os de limpeza, higiene, embalagens, vestuário, devem ter como insumos os nutrientes biológicos que, assim, no fim de sua vida, podem ser processados no metabolismo biológico de forma a enriquecer o meio ambiente ao invés de contaminá-lo. 

Dependendo do tipo de material utilizado nos produtos de consumo, ele pode ter uma ou mais vidas: no caso de uma vida, ele pode ser compostado diretamente, e quando puder ter mais de uma, são reprocessados um máximo de vezes para diversos usos consecutivos, só voltando para  o meio biológico quando se degradarem. Isto porque, no seu reprocessamento, vai havendo perda de valor da matéria prima original, mas como são seguros, podem retornar para a biosfera quando não puderem mais ser restaurados.

Nutrientes biológicos são materiais orgânicos, mas também materiais como biopolímeros e outros sintéticos que são seguros para os seres humanos e para os sistemas naturais.

Os produtos de serviço, como automóveis e eletrodomésticos, são geralmente produzidos com nutrientes técnicos, e projetados desde o início para o reuso no metabolismo técnico.

São considerados produtos de serviço pois seu valor para o usuário não está no produto em si, mas no serviço que ele proporciona, como transporte, roupas e casas limpas, processamento, resfriamento e aquecimento de alimentos, entretenimento, etc.

Nutrientes técnicos são frequentemente de matéria sintética ou mineral, que podem permanecer com segurança no ciclo fechado de fabricação. Eles são duráveis, não perdem suas propriedades ao longo do tempo e, portanto, ao fim de um ciclo de vida útil, podem ser transformados em novos produtos sem perda de seu valor.

Um exemplo de produto de serviço C2C é o pneu Timberland, que já foi projetado para ser transformado em solados de sapatos da própria empresa, sem os gastos que haveriam se os pneus fossem encaminhados para reciclagem.

A Economia Circular propõe que as empresas fabricantes de produtos de serviço considerem migrar do modo atual de venda para um modelo de arrendamento (leasing), locação ou compartilhamento. Isto traz vantagens tanto para a gestão circular de recursos e materiais quanto para a fidelização do relacionamento com o cliente. O cliente, que deixa de ser um consumidor para ser um usuário do serviço, se beneficia porque não precisa se preocupar em trocar, reparar ou descartar os produtos. A própria empresa se incumbe de substitui-los para depois serem reprocessados no metabolismo técnico.  

Esta ideia vem de Walter Stahel, que cunhou o termo C2C e é fundador do Product Life Institute. Ele defende a extensão da vida do produto, recondicionamento e prevenção de desperdício mas, principalmente, a importância de vender serviços ao invés de produtos, conceito denominado Economia de Performance ou Economia de Serviço Funcional.

A dificuldade de evitar envio para aterros

O problema dos lixões

E a Política Nacional de Resíduos Sólidos?

Leis de incentivo e linhas de financiamento

Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS instituída pela lei Nº 12.305, de 2 de Agosto de 2010)

Plano Brasil Maior (PBM) de 2011, a política industrial, tecnológica, de serviços e de comércio exterior do país que sucedeu a Política de Desenvolvimento Produtivo (a PDP), de 2008, e a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE), de 2004.

Lei 11.196/05 ou Lei do Bem, de 2005, que concede incentivos fiscais às empresas que realizam pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica, aproximando a relação entre universidades e institutos de pesquisa e o setor privado e potencializando os resultados em P&D

Políticas brasileiras de apoio a APLs.

 

Politicas federais, estaduais ou municipais de apoio e incentivo ao desenvolvimento social, ambiental e econômico.

Projetos

A proposta da rede Sustentabilidade do EcoInnovate4Sustain

A pergunta da rede Sustentabilidade do EcoInnovate4Sustain

O foco da rede Sustentabilidade é lidar com materiais residuais

 

A ideia da rede Sustentabilidade surgiu de um levantamento de iniciativas e propostas de projetos que buscam o desenvolvimento de novas soluções para minimização de recursos (materiais, energia, água, solo), reaproveitamento, reuso e reciclagem de materiais descartados, que tenham impacto ecológico, social, cultural, espacial e econômico positivos.

A plataforma pretende ser um fórum para identificar, discutir e contribuir, principalmente, para iniciativas e projetos que usam recursos que não são usados, são desperdiçados, ou são descartados. Portanto, visa o desenvolvimento de novas soluções pelo reaproveitamento, reuso e reciclagem de materiais.

Como podemos promover o desenvolvimento sustentável em diversas regiões brasileiras, utilizando os recursos materiais (sem uso) e sociais locais, para reduzir o uso de insumos, reduzir geração de resíduos/lixo, e gerar trabalho e renda conservando o território e a cultura local?

Como o leque de contribuições para um mundo sustentável é muito amplo, o foco principal desta rede é lidar com materiais residuais disponíveis, que são descartados como lixo, mas que podem ser utilizados em diferentes novos contextos gerando impacto positivo para o meio ambiente (já que deixam de se acumular em aterros ou lixões) e para a sociedade (já que podem gerar novas oportunidades de trabalho e renda). O que é considerado lixo (um problema) passa a ser então considerado matéria prima (um recurso).

A utilização de resíduos ou produtos descartados é um meio mais sustentável de suprimento das cadeias de produção. Com o reprocessamento, não é necessário extrair matéria prima da natureza (o que é bom para o planeta) e ter todo o custo de  manufatura para sua transformação (o que é bom para a empresa). Além disso, não há o custo do descarte de material (o que é bom para o planeta e para a empresa). Quanto menor for o volume de extração e deposição,  e quanto mais intenso o ciclo circular dos materiais, mais sustentável se torna a cadeia de produção, consumo e logística. Além disso, abre-se novas oportunidades de trabalho dentro da cadeia, o que é importante dado o alto índice de desemprego no país.  

Mudança de pensamento

A plataforma pretende viabilizar mudanças no pensamento linear atual de que produção e consumo podem ser tocados a qualquer custo, não considerando nem o esgotamento de recursos e nem o aumento de poluição, já que eles são  parte do desenvolvimento, mesmo que isto impacte negativamente a sociedade e o planeta.

Mas o que é desenvolvimento e qual é o custo desse modelo do século passado?

Ele foi herdado da revolução industrial, e é insustentável, porque desperdício e dano socioambiental são caros sob o ponto de vista econômico, social e ecológico.

O pensamento contemporâneo, mais sustentável, é que o uso intensivo e indiscriminado de recursos e o aumento de dejetos tem alto impacto na sociedade e no meio ambiente. Portanto, o desenvolvimento tem que ser mais racional, considerando que a produção não depende somente de máquinas e materiais, mas também dos seres humanos que as projetam e operam, os quais são parte da teia social junto daqueles que consomem/usam o que é produzido.

 

Para que o desenvolvimento seja sustentável, o meio ambiente e o meio social precisam ser respeitados, e não podem valer menos do que as questões de ordem econômica. Aqui é importante salientar que o modelo linear de produção e consumo não considera, nos cálculos econômicos, o custo das perdas de materiais, energia, mão de obra, transporte etc. envolvidos na extração de matéria prima, produção, consumo e descarte. Se fossem, talvez o modelo já tivesse sido superado.

Busca do desenvolvimento sustentável

Meadows, D. H., Meadows, D. H. L., Randers, J., Behren III, W. W. (1972). The limits of growth, The Club of Rome's Project New York, Universe Books. Versão brasileira publicada em 1973: Limites do Crescimento: Um relatório para o projeto do Clube de Roma sobre o dilema da humanidade. São Paulo: Editora Perspectiva

Ecodesenvolvimento

A questão do desenvolvimento sustentável vem sendo debatido desde a Conferência das Nações Unidas, realizada em Estocolmo em 1972, com base no relatório “Limites do Crescimento” elaborado em 1971 por uma equipe do MIT, por solicitação do Clube de Roma. Ele apontava o problema da explosão demográfica e da pressão que isto exercia sobre o equilíbrio dos ecossistemas e o esgotamento dos recursos não-renováveis do planeta. Para evitar a fome, escassez de recursos naturais, altos níveis de poluição, o relatório recomendava a adoção de uma política mundial de contenção do crescimento.

Este relatório foi utilizado nas reuniões preparatórias para a Conferência das Nações Unidas, tendo sido elaborado o conceito de ecodesenvolvimento: um desenvolvimento baseado na potencialidade de cada ecossistema, levando em conta a participação das populações locais, a redução dos desperdícios de qualquer ordem e a reciclagem dos resíduos.

Apesar da proposta de que o estado de equilíbrio poderia ser planejado de forma a garantir o atendimento das necessidades básicas e de oportunidades de realização do potencial humano, os países em desenvolvimento, liderados pelo Brasil e Índia, entenderam que a adoção dessa política de “crescimento zero” condenaria a maioria dos países a um permanente subdesenvolvimento, pois mantinha a divisão territorial do trabalho e os conflitos e as contradições entre o “norte desenvolvido” e o “sul subdesenvolvido”.

O que foi aprovado na Assembleia Geral das Nações Unidas de 1972, foi a proposta para a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, com o objetivo de catalisar e coordenar as atividades de proteção ambiental. A partir  de 1972, vários movimentos em prol do meio ambiente e justiça social tiveram inicio em todo o mundo.

Tentando corrigir as distorções do primeiro modelo, o relatório do Clube de Roma sofreu alterações em  1973, focando em energia, e também em 1976, quando foram incorporadas as questões sociais de desigualdade de renda média (numa relação de 13/1) entre países ricos e pobres.

5 Dimensões do Desenvolvimento Sustentável na Conferência Rio-92

Sachs, I. (1991) Os próximos 40 anos: estratégias de transição para o caminho verde virtuoso: Norte / Sul / Leste / Global. Fórum Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável Paris, 1991 

Foi a partir do Relatório Brundtland – resultado da World Commission on Environment and Development (WCED) (Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento), publicado em 1987 com o título “Nosso Futuro Comum”– que a noção de desenvolvimento sustentável passou a se consolidar junto a pesquisadores e ativistas, e também a ganhar adesão política, inclusive de países em desenvolvimento. Ao invés de crescimento zero, a proposta era de aceleração do desenvolvimento, principalmente tecnológico, com base em “mecanismos de desenvolvimento limpo”.

O relatório foi decisivo para o encaminhamento da Conferência Rio-92, cujo documento base foi preparado por Ignacy Sachs (1991) por solicitação da UNCED 92. 

O conceito de desenvolvimento sustentável não foca apenas os fatores ecológicos e econômicos, devendo abranger, também, as dimensões social, cultural e espacial, conforme proposto por Sachs (1991) no documento que orientou a ECO92. Na ocasião, os 179 países participantes assinaram o documento da Agenda 21. 

Em 2002, Sachs ampliou para oito, as dimensões da sustentabilidade: social, cultural, ecológica, ambiental, territorial, econômica, política nacional e política internacional.

 

Assista ao vídeo sobre a Conferência Rio-92 (ou Cúpula da Terra), preparado pela ONU, publicado pela ONU Brasil em 17/12/2011.

 

 

Assista à entrevista de Ignacy Sachs na TV Cultura, em 10/12/2011.

 

 

Assista à entrevista que Gro Brundtland (ex Primeira Ministra da Noruega, diretora geral da World Health Organization (WHO) de 1998 a 2003, e presidente da Comissão Brundtland, da Organização das Nações Unidas entre 1983 e 1987)  deu à TV Cultura, em outubro de 2011, quando ela veio ao Brasil. Ela comenta sobre os avanços em relação ao desenvolvimento sustentável, 20 anos depois de seu lançamento.

Triple-Bottom-Line, TBL ou 3P

Elkington, J. (1997) Cannibals with Forks: Triple Bottom Line of 21st Century Business. Oxford: Capstone Publishing Ltd.

Nos anos 1990, outra proposta para alcançar o desenvolvimento sustentável foi o Triple-Bottom-Line, TBL ou 3P (people, planet, profit) de John Elkington (1997) para quem a sustentabilidade da atividade empresarial  depende do equilíbrio entre os objetivos econômicos (prosperidade econômica), ambientais (qualidade ambiental) e sociais (justiça social).

Ainda hoje, o modelo do TBL é adotado pelas principais empresas no mundo, cujos relatórios de desempenho têm sido avaliados considerando as três dimensões, por  organizações como a Global Reporting Initiative, a AccountAbility, a Bolsa de Valores de Nova York com o Dow Jones Sustainability Index (DJSI), e a Bovespa com o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).

Apesar de, na teoria, o TBL presumir que o sucesso de uma organização empresarial deve ser mensurado não apenas em face de variáveis financeiras, mas também pelo seu desempenho social e ambiental, os resultados que vem sendo obtidos não refletem a teoria, pois no difícil casamento entre objetivos ambientais, sociais e econômicos, este último geralmente tem prioridade.

Além do desequilíbrio entre os três objetivos, o TBL fica aquém do que foi proposto para o desenvolvimento sustentável na Eco 92, já que não engloba as dimensões cultural e espacial da sustentabilidade.

 

Assista ao vídeo de John Elkington sobre o TBL

Economia Verde na Conferência RIO+20

PNUMA (2011) Rumo a uma economia verde: caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza – Síntese para Tomadores de Decisão www.unep.org/greeneconomy.

Enquanto o conceito de desenvolvimento sustentável orientou a ECO92, vinte anos depois, a Conferência RIO+20 teve como guia o conceito de “Economia Verde” para novas políticas de desenvolvimento, como a maior inclusão das questões sociais no desenvolvimento, com maior ênfase das questões sociais no desenvolvimento, produção, consumo e descarte dos produtos utilizados.

 

Assista a uma palestra de Sergio Basserman Vianna (economista) sobre meio ambiente, Economia Verde e expectativas para a Rio+20, no 2º Seminário Internacional BPC, BRICS Policy Center, publicado em 14/06/2012. 

 

 

 

Assista à entrevista do ex ministro do Meio Ambiente Jose Goldemberg que compara o cenário mundial da Rio 92 com o da Rio+20. Pesquisa Fapesp publicado em 05/03/2012.

Assista em https://noticias.r7.com/record-news/jornal-da-record-news/videos/marina-silva-diz-que-atuacao-do-brasil-na-rio-20-foi-frustrante-22102015 a avaliação da Conferência Rio+20 feita pela ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, em entrevista ao jornalista Heródoto Barbeiro da Record News em 21/06/2012.

 

 

 

Assista à avaliação da Conferência Rio+20 por Sergio Basserman Vianna (economista), Sérgio Abranches (cientista político e sociólogo) e Ana Toni (presidente do Conselho do Greenpeace Internacional) no programa Observatório da Imprensa, de Alberto Dines, em 27/06/2012. 

 

A avaliação da Rio+20, em geral, não foi boa: o interesse das autoridades pela Conferência foi  questionado, pois dos 30 países mais ricos do mundo, apenas 17 enviaram chefes de Estado. Além disso, o documento preparado para ser debatido na Conferência foi alvo de críticas, tendo sido considerado fraco.

Resumidamente, a avaliação foi de frustração, pois falou-se muito sem concluir nada, já que, de certa forma, os governos abdicaram da responsabilidade em relação ao desenvolvimento sustentável. Para muitos, o Brasil, como anfitrião e como país com maior biodiversidade no mundo, perdeu uma oportunidade de assumir uma posição de liderança na Conferência e se promover como país de vanguarda e líder mundial na área de sustentabilidade.

 

Em 2009, o PNUMA substituiu o conceito de ecodesenvolvimento pela Economia Verde, “uma economia que resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz os riscos ambientais e a escassez ecológica”  a partir  de tecnologias ambientalmente corretas, que protejam o meio ambiente e ao mesmo tempo impulsionem o crescimento econômico.

A Economia Verde tem três características principais: 1) baixa emissão de carbono; 2) eficiência no uso de recursos para conservação da biodiversidade e preservação dos serviços ambientais e; 3) busca pela inclusão social e diminuição das desigualdades entre ricos e pobres, para melhoria da qualidade de vida de todos, por meio de oferta de empregos, consumo consciente, reciclagem, reutilização de bens, uso de energia limpa e valoração da biodiversidade.

A Economia Verde sofreu críticas de acadêmicos e ONGs, que consideram que a ideia de valorar o meio ambiente através de mecanismos tradicionais de mercado é um ambientalismo de mercado, e a atribuição de valor monetário a bens naturais, como a flora, fauna, água e ar, não é viável. As críticas são inclusive quanto às operações de compensação ambiental para áreas ou recursos naturais degradados, pois é impossível comparar, com precisão, o valor natural de um local com outro, já que cada um é único.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Milênio

Iniciativas em processos e produtos visando a sustentabilidade

Em 2015, a Assembleia Geral da ONU elaborou 17 objetivos e 169 metas para o desenvolvimento sustentável, a serem atingidas em 2030. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são parte da Resolução 70/1 da Assembleia Geral das Nações Unidas: “Transformando o Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável" ou “Agenda 2030” e baseiam-se nos princípios acordados na Resolução A/RES/66/288, intitulada "O Futuro que Queremos", um documento que resultou da Conferência Rio+20.

Os ODS acordados por 193 países em setembro de 2015 são: 01 - Erradicação da pobreza; 02 - Fome zero e agricultura sustentável; 03 - Saúde e bem-estar; 04 - Educação de qualidade; 05 - Igualdade de gênero; 06 - Água limpa e saneamento; 07 - Energia limpa e acessível; 08 - Trabalho decente e crescimento econômico; 09 - Inovação infraestrutura; 10 - Redução das desigualdades; 11 - Cidades e comunidades sustentáveis; 12 - Consumo e produção responsáveis; 13 - Ação contra a mudança global do clima; 14 - Vida na água; 15 - Vida terrestre; 16 - Paz, justiça e instituições eficazes; 17 - Parcerias e meios de implementação.

Veja o vídeo do lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. 

 

 

 

Pode-se traçar um breve histórico das iniciativas em desenvolvimento de produtos/serviços e processos para um desenvolvimento sustentável, desde  1987.

Ecoeficiência e 3Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar)

Os anos 1990 foram a era do sistema de gestão integrada de resíduos, incorporando o conceito dos 3Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar) na tentativa de minimizar os resíduos sólidos gerados por indústrias e até mesmo por consumidores. Esta gestão segue o princípio da ecoeficiência que supõe um fluxo linear de materiais através de sistemas industriais: (i) matérias-primas são extraídas do meio ambiente; (ii) estas matérias são transformadas em produtos; (iii) os produtos são descartados no meio ambiente ao fim do ciclo de sua vida util.

As técnicas de ecoeficiência procuram minimizar o volume, velocidade e toxicidade do sistema de fluxo de material, mas são incapazes de alterar esta progressão linear.  Uma solução para minimizar os danos no final do processo do tipo fim de tubo (end-of-pipe) é a reciclagem de alguns materiais, mas isso geralmente ocorre  com perdas de recursos materiais, energéticos e financeiros, pois os produtos não foram projetados para serem reprocessados.  Assume-se que o produto tem um fim, um túmulo, mas a qualidade deste fim não é considerada no projeto pois eles são concebidos para viverem apenas um ciclo de vida e terminar no túmulo da reciclagem. Mas reciclagem tem um custo de processo além da perda de valor da matéria prima original. Ela é a solução encontrada para tratar o sintoma de um modelo linear insustentável.

Ecoeficácia, ZERI e Economia Azul

Pauli, G. (1998) Upsizing: Como gerar mais renda e criar mais postos de trabalho e eliminar a poluição, Porto Alegre: Fundação Zeri Brasil - L&PM.

O conceito de ecoeficiência evoluiu, então, para o conceito da ecoeficácia, que considera que os resíduos que seriam descartados ou reciclados devem ser reutilizados em outros processos. É o caso de algumas empresas brasileiras que estão usando resíduos de outras empresas como matéria prima para novos produtos.

Já existem bancos de compra e venda de resíduos, como a Bolsa de Resíduos da Firjan, da Fiesp, Sistema Integrado de Bolsa de Resíduos, plataforma Polen, e B2Blue.

Veja em https://globosatplay.globo.com/globonews/v/5509516 o vídeo do programa Cidades e Soluções da GloboNews exibido em 12/12/2016 que apresenta alguns exemplos.

Este tipo de iniciativa entre empresas é promovido pela Zero Emission Research Initiative (ZERI) que, de início, era uma filosofia mas se converteu em uma metodologia. Hoje, a ZERI é uma rede global para buscar soluções para problemas mundiais de impacto no planeta, baseado na ideia de que as soluções para os desafios da humanidade estão nos sistemas naturais.

Para Gunter Pauli (1998), basta examinar a natureza melhor. Se imitarmos as soluções do meio ambiente, vamos atingir sustentabilidade. A natureza não produz lixo: o que é dejeto vira insumo. Com base no funcionamento dos ecossistemas, pode-se criar soluções e oportunidades criativas e inovadoras de desenvolvimento sustentável, equilibrando a sustentabilidade social, económica e ambiental.

Como quase todas as tecnologias necessárias para atender as necessidades básicas dos seres humanos  já foram inventadas, a verdadeira criatividade está em se fazer as conexões, integrando inovações que permitam gerar múltiplos benefícios, inclusive a geração de emprego e capital social (upsizing).

A ZERI está dentro do modelo de Economia Azul, proposto por Gunter Pauli na Eco 92.

Assista a dois vídeos que explicam o que é Economia Azul.

Gunter Pauli considera que a Economia Verde, do baixo carbono, sem tóxicos e com energia renovável, faz com que as empresas injetem mais recursos, que os investidores invistam mais dinheiro, e que os consumidores paguem mais caro pelos produtos mais ecológicos, sendo que as taxas de retorno são baixas, resultando que o que é bom para o meio ambiente é sempre mais caro.

Sendo eficiente em alguns aspectos, ela acaba se convertendo em uma economia para os ricos. A Economia Verde pode funcionar para uma pequena parte da população mundial, onde a economia está indo bem, mas não é suficiente para solucionar os desafios do planeta pois existe crise econômica, com altas taxas de desemprego, em muitos lugares.

Para entrar na esfera da inovação social, é necessário sair do mundo dos negócios tradicional. Uma empresa não sobreviverá se focar somente no seu fluxo de caixa. Ela precisa atender o “cliente” e o cliente não quer um produto barato porque é de baixa qualidade, não quer pobreza, nem problemas gastrointestinais por falta de água potável...

A Economia Azul (porque o planeta é azul, da cor do mar) propõe mudanças estruturais na economia, de forma que o bom é barato e o indispensável é grátis. Deve haver um investimento maior nos produtores locais e no aproveitamento dos recursos naturais, buscando a transformação e a eliminação dos dejetos, de forma a fechar um ciclo autossustentável. Um exemplo é o aproveitamento do café: com o que é descartado, pode se cultivar cogumelos de grande qualidade nutricional. Desta forma, os produtores de café podem quadruplicar o lucro com o material que iria para o lixo.

Assista a uma entrevista com Gunter Pauli, explicando porque a Economia Verde não está atendendo as necessidades do planeta. 

E uma palestra onde ele dá exemplos de projetos bem sucedidos, inclusive no Brasil, e explica o que é o pensamento sistêmico.

A Economia Azul/ZERI foca principalmente nas questões sociais, nas oportunidades de negócios, e enfatiza a importância dos empreendedores. Entretanto, por melhor que seja a ideia de utilização de materiais locais e de que o resíduo de um processo seja reutilizado como recurso em outro, ampliando assim os negócios, a linearidade do sistema de produção continua prevalecendo se o projeto de produtos continuar sendo berço-ao-túmulo. É preciso repensar, também, o projeto de produtos e, para tanto, a Economia Azul/ZERI tem promovido o desenvolvimento de produtos berço-a-berço.

Produto berço-a-berço e Economia Circular

McDonough, W. e . Braungart, M. (2002) Cradle to cradle, Remaking the way we make things. North Point Press.

 

McDonough, W. e . Braungart, M. (2014) Cradle to cradle,  Criar e reciclar ilimitadamente. Gustavo Gili.

Projetar pensando em um processo circular com 2 metabolismos possíveis: o biológico e o técnico

O conceito de projeto berço-a-berço (cradle2cradle) ou C2C , difundido no livro de William McDonough e Michael Braungart  (2002, 2014) é uma das bases da Economia Circular.

Estes autores propõem estratégias para a concepção de produtos C2C e processos produtivos dentro de uma Economia Circular (ver as publicações da Ellen MacArthur Foundation, sendo que duas são sobre o Brasil, pois a Fundação está no país desde 2015), a partir do princípio do uso cíclico dos materiais, considerando que, no fim do ciclo de uma vida, eles serão reprocessados para iniciar um outro ciclo de vida. Desta forma, não há um túmulo para os produtos, pois eles se transformam para reiniciar uma nova vida, tendo assim, um novo berço

Luisa Santiago, representante da Ellen MacArthur Foundation Brasil, apresentou a Fundação no GloboNews Prisma 2018. Clique  em         https://globosatplay.globo.com/globonews/v/6714204/  para ver o vídeo de 5/5/2018.

Para que haja circularidade, os designers têm que projetar um produto já pensando que ele terá uma segunda vida, ou mais de duas. Assim, as perdas são menores, porque o produto não será reciclado, mas sim, reestruturado para assumir um outro ciclo de vida.

Um exemplo interessante de produto já projetado com duas vidas é  a tampinha de garrafa de refrigerante CleverPack projetada por Claudio Patrick Vollers para ser um brinquedo (tipo Lego) e evitar, assim, o descarte. A tampinha foi premiada no IF Design 2014. Veja em https://globosatplay.globo.com/globonews/v/3606974/ o projeto que foi apresentado no programa Cidades e Soluções exibido em 03/09/2014.

Em termos de processo, uma indústria C2C na Economia Circular deve se organizar para que os recursos sejam geridos em uma  lógica circular de criação e reutilização, em que cada passagem de ciclo se torna um novo ‘berço’ para determinado material. Dessa forma, o modelo linear é substituído por sistemas cíclicos,  permitindo que recursos sejam reutilizados indefinidamente e circulem em fluxos seguros e saudáveis para os seres humanos e para a natureza.

Note que a Economia Circular não fala em reciclagem, mas em recirculação e transformação dos materiais. A filosofia é de uma economia restaurativa do capital natural e, para isto, as indústrias devem projetar produtos com este foco e alterar seus sistemas de produção e distribuição a fim de permitir a recirculação de materiais.

Para que os resíduos possam ser reutilizados, há necessidade de se pensar nas matérias primas que serão utilizadas (que não sejam tóxicas, que não esgotem o planeta etc.), como serão utilizadas sem recorrer à mais extração de matéria prima da natureza, e como retornam para o local de reprocessamento.

A transformação de materiais pode ocorrer em dois ciclos ou metabolismos: o biológico (quando o material se torna nutriente na natureza) ou o técnico (quando é incorporado novamente no sistema fabril).

 

 

Veja o vídeo sobre projeto berço a berço.

 

Veja o vídeo legendado sobre projeto berço a berço e economia circular.  

Assista uma palestra de William McDonough sobre conceito berço a berço.

 

 

E uma palestra legendada de William McDonough sobre o conceito berço a berço.

https://www.ted.com/talks/william_mcdonough_on_cradle_to_cradle_design?language=pt-br

Projetar pensando que o produto terá várias vidas

Diferenciar 2 tipos de produto

Produto de consumo a ser processado no metabolismo biológico

Produto de serviço a ser processado no metabolismo técnico

Economia Circular e Economia de Performance

A lógica C2C faz a diferenciação entre dois tipos de produtos: os de consumo e os de serviço.

Os produtos de consumo, como os de limpeza, higiene, embalagens, vestuário, devem ter como insumos os nutrientes biológicos que, assim, no fim de sua vida, podem ser processados no metabolismo biológico de forma a enriquecer o meio ambiente ao invés de contaminá-lo. 

Dependendo do tipo de material utilizado nos produtos de consumo, ele pode ter uma ou mais vidas: no caso de uma vida, ele pode ser compostado diretamente, e quando puder ter mais de uma, são reprocessados um máximo de vezes para diversos usos consecutivos, só voltando para  o meio biológico quando se degradarem. Isto porque, no seu reprocessamento, vai havendo perda de valor da matéria prima original, mas como são seguros, podem retornar para a biosfera quando não puderem mais ser restaurados.

Nutrientes biológicos são materiais orgânicos, mas também materiais como biopolímeros e outros sintéticos que são seguros para os seres humanos e para os sistemas naturais.

Os produtos de serviço, como automóveis e eletrodomésticos, são geralmente produzidos com nutrientes técnicos, e projetados desde o início para o reuso no metabolismo técnico.

São considerados produtos de serviço pois seu valor para o usuário não está no produto em si, mas no serviço que ele proporciona, como transporte, roupas e casas limpas, processamento, resfriamento e aquecimento de alimentos, entretenimento, etc.

Nutrientes técnicos são frequentemente de matéria sintética ou mineral, que podem permanecer com segurança no ciclo fechado de fabricação. Eles são duráveis, não perdem suas propriedades ao longo do tempo e, portanto, ao fim de um ciclo de vida útil, podem ser transformados em novos produtos sem perda de seu valor.

Um exemplo de produto de serviço C2C é o pneu Timberland, que já foi projetado para ser transformado em solados de sapatos da própria empresa, sem os gastos que haveriam se os pneus fossem encaminhados para reciclagem.

 

A Economia Circular propõe que as empresas fabricantes de produtos de serviço considerem migrar do modo atual de venda para um modelo de arrendamento (leasing), locação ou compartilhamento. Isto traz vantagens tanto para a gestão circular de recursos e materiais quanto para a fidelização do relacionamento com o cliente. O cliente, que deixa de ser um consumidor para ser um usuário do serviço, se beneficia porque não precisa se preocupar em trocar, reparar ou descartar os produtos. A própria empresa se incumbe de substitui-los para depois serem reprocessados no metabolismo técnico.  

Esta ideia vem de Walter R. Stahel que cunhou o termo C2C e é fundador do Product Life Institute. Ele defende a extensão da vida do produto, recondicionamento e prevenção de desperdício mas, principalmente, a importância de vender serviços ao invés de produtos, conceito denominado Economia de Performance ou Economia de Serviço Funcional. Em 2019, lançou o livro "The Circular Economy: a user's guide".

 

Assista a um video onde Walter R. Stahel explica sua ideia sobre economia de performance e economia circular e outro onde ele detalha o conceito de economia circular.

 

 

 

 

 

 

 

Assista também uma conversa entre Walter Stahel e Ellen McArthur sobre economia circular.

Stahel, W .R. (2019) The circular economy: a user's guide. Taylor& Franci

Dificuldade de implementar a abordagem circular

A pressão econômica do Triple-Bottom-Line

A dificuldade de evitar envio para aterros

O problema dos lixões

Apesar de fazer todo o sentido, a abordagem circular tem sido pouco aplicada. Uma das razões é que ela exige a mudança de um raciocínio linear tradicional, para um raciocínio sistêmico, que é mais complexo, já que lida com diversos atores e diversas variáveis que precisam ser considerados “fora da caixa”. Exige também um grupo multidisciplinar atuando de forma integrada no desenvolvimento de produtos, sistema de produção, uso/consumo e logística.

Uma outra justificativa  para a dificuldade de aplicação da Economia Circular é a incompatibilidade entre objetivos econômicos, ambientais e sociais, pois o econômico geralmente tem prioridade, e o cálculo econômico é geralmente feito considerando os parâmetros tradicionais da economia linear.

Isto acontece até mesmo quando as empresas se propõem a adotar  estratégias de Triple-Bottom-Line, TBL ou 3P (people, planet, profit) (Elkington,1997) pois, na prática, o foco vem sendo a questão econômica, a partir de iniciativas de ecoeficiência e ecoeficácia.

Além do desequilíbrio entre os seus três objetivos, a aplicação do TBL no Brasil não é o ideal pois deixa de lado dimensões cruciais para um país com tanta diversidade: as questões regionais (incluindo os recursos materiais locais), culturais e espaciais da sustentabilidade.

 

Outra questão importante para a economia circular é se ter ciência que resíduo totalmente zero é improvável, pois sempre haverá alguma perda nos processos de produção/consumo/logística. A meta é minimizar ao máximo (a quase zero) os resíduos dos processos (de produção, consumo e logística), além de projetar os produtos para que os nutrientes sejam reutilizados como um recurso no metabolismo biológico ou técnico, ao invés de descartá-lo como lixo em aterros ou lixões.

Aterros são caros, e ficam mais caros quanto maior é o volume de resíduos (porque são necessários mais insumos, mais mão de obra e mais tempo para o tratamento) e quão mais distantes eles estão dos centros produtores de resíduos (porque aumenta o custo de transporte). Além do mais, quanto menos material, mais longa é a vida do aterro e menor a quantidade de chorume produzido. Portanto, quanto menos resíduo for destinado aos aterros, melhor.

Lixões nem deveriam existir porque são contaminantes e insalubres. Embora proibido por lei desde 1981, e a prática de encaminhamento errôneo criminalizada em 1998 (lei de crimes ambientais), a maioria dos prefeitos ainda não resolveu o problema de destinação correta de resíduos até hoje (e também não são cobrados por isto).

Não se pode esquecer, também, os resíduos que são descartados irresponsavelmente, entupindo bueiros, poluindo rios. lagoas e oceanos. A responsabilidade pelo mal descarte também é da sociedade.

Veja em  https://globosatplay.globo.com/globonews/v/5433410/  o vídeo do programa Cidades e Soluções sobre o desafio dos prefeitos em relação aos lixões e possibilidades de destino correto de lixo, exibido em 07/11/2016. 

Veja em https://globosatplay.globo.com/globonews/v/3547330/ um debate sobre o fim dos lixões no programa Cidades e Soluções exibido em 06/08/2014. 

 

O Globonews Prisma de 2018 apresentou o painel “Lixo = Erro de Design” com debate entre um representante do governo (Sabrine Andrade, coordenadora geral de resíduos do MMA) e empresa (Felipe Barolo, gerente de sustentabilidade da AMBEV) moderado pelo jornalista Andre Trigueiro. Assista ao vídeo veiculado em 5/5/2018. Clique em https://globosatplay.globo.com/globonews/v/6714434/ para ver o programa.

 

A AMBEV está investindo nas garrafas retornáveis e quando ela chega ao limite de 23 vezes de reuso, ela é reprocessada na fábrica de vidro da AMBEV no Rio de Janeiro, que também reprocessa as embalagens quebradas (até 20 vezes de retorno).

A iniciativa de embalagem retornável é um alento, e todas as fábricas que usam embalagens de vidro (ou outro material reciclável, como é o caso das garrafas PET retornáveis da Coca-Cola) deveriam ser obrigadas a fazer o mesmo, porque vidro não é lixo e nem resíduo. é um absurdo que todo o vidro no Brasil não seja reusado e reprocessado pois é matéria prima 100% reciclável, sem perda de suas características e, mesmo quebrado, pode ser encaminhado para reprocessamento, já que vai ser moído antes de voltar para o forno.

No Brasil, o vidro vale pouco no mercado, porque não há recicladoras interessadas, as fábricas de vidro não compram, ele é pesado, frágil, e assim, fala mais alto de novo a questão econômica: a maioria das empresas acha que não vale a pena o investimento em logística reversa para embalagem retornável, o que até o inicio dos anos 1990 era comum, para a maioria das embalagens  de bebida. A partir de então, as de refrigerante foram substituídas por PET (mais leve e mais resistente), e as de cerveja, em vidro, passaram a ser oneway, também não retornável.

Acesse https://globosatplay.globo.com/globonews/v/5173230/ para o vídeo sobre a questão do vidro no programa Cidades e Soluções da GloboNews exibido em 19/07/2016. 

E a Política Nacional de Resíduos Sólidos?

Veja os webinars Industria e Meio Ambiente promovidos pela FIRJAN na semana do meio ambiente, dias 1 a 5 de junho de 2020

Webinar sobre resíduos sólidos industriais e pós-consumo realizado no dia 03/06/2020

Abertura: Jorge Peron | Gerente de Sustentabilidade da Firjan

Convidados:

Christiane Pereira | Coordenadora da Universidade Técnica de Braunschweig e especialista em resíduos sólidos urbanos

Carlos Silva Filho | Diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe)  e vice-presidente da International Solid Waste Association (ISWA)

Karine Rossi | Coordenadora do Instituto SENAI de Tecnologia Química e Meio Ambiente

Moderadora: Carolina Zoccoli | Especialista em Meio Ambiente da Firjan

Webinar sobre Produção e Consumo Sustentáveis realizado no dia 04/06/2020 

Abertura: Jorge Peron | Gerente de Sustentabilidade da Firjan

Convidados:

Caio Porciuncula | Especialista em Ecoeficiência e Tecnologias Limpas no Instituto SENAI de Tecnologia Química e Meio Ambiente

Leonardo Soares de Oliveira | Responsável por Projetos de Sustentabilidade em Distribuição na Enel

Luciana Pellegrino | Diretora Executiva da Associação Brasileira de Embalagens (ABRE)

Moderadora: Renata Rocha | Analista de Meio Ambiente da Firjan

Manual de Gerenciamento de Resíduos - Firjan https://www.firjan.com.br/lumis/porta...

Guia Empresarial Logística Reversa de Embalagens no Estado do Rio de Janeiro - Firjan: https://www.firjan.com.br/lumis/porta...

Bolsa de Resíduos - Espaço de Compra, Venda e Doação de Resíduos - Firjan  https://bolsaderesiduos.firjan.com.br/

Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil - Abrelpe http://abrelpe.org.br/panorama/

Leis de incentivo e linhas de financiamento

O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi instituído pela Lei 9.363/96 de 13 de Dezembro de 1996. O objetivo é ressarcir os exportadores do pagamento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, determinado pelas Leis Complementares 7 e 8, de 1970, e 70, de 1971, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.
O desconto nos impostos a serem pagos, o chamado crédito presumido, é calculado com base em uma estimativa do lucro das empresas. 

Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS instituída pela lei Nº 12.305, de 2 de Agosto de 2010)

Lei 11.196/05 ou Lei do Bem, de 2005, que concede incentivos fiscais às empresas que realizam pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica, aproximando a relação entre universidades e institutos de pesquisa e o setor privado e potencializando os resultados em P&D

Políticas brasileiras de apoio a APLs.

 

Politicas federais, estaduais ou municipais de apoio e incentivo ao desenvolvimento social, ambiental e econômico.

Uma questão que envolve diretamente o governo (e os advogados) é a (bi)tributação de resíduos, que acabam sendo mais tributados do que a matéria prima virgem, porque não há crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de material reciclado, ou seja o imposto que já foi pago pela matéria prima original não é reembolsado no caso do reuso do material.

Isto acaba por desestimular as empresas a utilizarem material de reciclagem, o que é mais um desafio para os advogados nesta plataforma, pois há de haver um meio legal de acabar com esta bitributação. Se uma empresa já recolheu o tributo pela matéria prima, esta não deveria ser novamente tributada, onde é que fosse usada. Pode-se entender que uma empresa, isoladamente, não consiga reverter esta questão da bitributação. Mas se as empresas se unirem, aumenta o poder de barganha.

Os governantes (no caso dos resíduos, principalmente os prefeitos, pois são os responsáveis pela coleta, transporte e destinação de resíduos) também deveriam ter interesse em enfrentar este e outros desafios em relação aos resíduos, pois se mais empresas produzem mais bens com menos resíduo, maior é a geração de riqueza e, portanto, retorno para o município.

 

Considerando o custo dos aterros, deveria ser de interesse dos governantes investir em tudo que diz respeito à minimização de resíduos, e maximização do reuso e reciclagem de materiais. Por exemplo, a instalação de unidades de reciclagem em clusters, pode aumentar o volume de materiais em um mesmo local, otimizar o seu processamento, gerar trabalho e renda para os municípios e reduzir material que iria para aterro.

Por maior que sejam as barreiras para desenvolvimento e implementação destes projetos, sem dúvida vale o esforço pois, com pessoas juntas e engajadas, tais barreiras são mais fáceis de superar. Além do mais, quem escolhe os prefeitos são os cidadãos, então cabe a eles (a sociedade) cobrarem, exigirem dos prefeitos (e vereadores) as iniciativas para minimização e reaproveitamento de resíduos.

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